CASTRO ALVES

 

Nacionalidade: Brasileira


Data de Nascimento: 14 de Março de 1847, Muritiba, Bahia


Falecimento: 6 de Julho de 1871, Salvador, Bahia


Ocupação: Poeta 
(Obs.: Estudava Direito, mas, devido ao seu grave estado de saúde, vitima de tuberculose, interrompeu seus estudos em 1968 no 4º ano.)


Escola/Tradição: Romantismo


Poesia:


Navio negreiro (parte do poema)

Era um sonho dantesco...
o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
 Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!...
"E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...


Versos: Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs


Comentário: Esta poesia – NAVIO NEGREIRO – marca uma triste época do Brasil. Infelizmente, é uma mancha de sangue que deixamos na história, fazendo nossos irmãos negros vítimas do nosso egoísmo atroz.Mas CASTRO ALVES, abolicionista, através de sua poesia, denuncia e desabafa a dor de ver tão grande sofrimento, principalmente se referindo aos Navios Negreiros, grandes tumbeiros, que fazia os negros dançarem pelo balanço do mar e pelo açoite dos chicotes.Minha homenagem aqui vai para o maravilhoso e inigualável Castro Alves e me estendo, com todo respeito, a todos os negros deste país, que somaram esforços e ajudaram a criar a nossa nação, com dor e sofrimento, mas com dignidade e muita, muita honra.
 

MEG KLOPPER

 

 
 
 
 
 

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